terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

LIÇÕES DO ABC

Há 30 anos ex-dirigente sindical, hoje ex-presidente da República, Lula retorna à região que tem no mundo do trabalho – não só nas fábricas, mas nas ruas e nos movimentos – as raízes de seu desenvolvimento.

Por: Por Vitor Nuzzi e Cida de Oliveira
Publicado em 03/01/2011

Uniforja: experiência mais bem sucedida de trabalhadores que assumiram uma fábrica falida. Foto: Mauricio Morais

Cena 1: durante a greve dos metalúrgicos do ABC, em 1980, um ministro (Camilo Penna) diz que o movimento está infiltrado por estrangeiros, para aumentar os custos de produção. Outro (Murilo Macedo) vê a presença de comunistas. Líderes são presos, sindicatos sofrem intervenção. Empresários reclamam que o sindicalismo “selvagem” afugenta investimentos.

Cena 2: três companhias aeronáuticas – dos Estados Unidos, França e Suécia – disputam um espaço para instalar-se em São Bernardo; o prefeito, Luiz Marinho, é um ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos. A investida está relacionada à escolha, pelo governo brasileiro, de uma nova aeronave para a Força Aérea.

Entre um episódio e outro, passaram-se 30 anos. O principal líder sindical da região participa da formação de um partido, é deputado constituinte, disputa o governo estadual uma vez e a Presidência da República cinco vezes. Vence duas e, a partir de 1º de janeiro, ao deixar a residência no Palácio da Alvorada para se fixar em seu apartamento em São Bernardo, reencontra uma região em plena transformação. Com a vocação industrial preservada, mas com um forte setor de serviços que emprega 50% da mão de obra e espaço para experiências de economia solidária.

Precavido após anos de crise, entre as décadas de 1980 e 1990, o ABC – constituído de sete cidades e 2,5 milhões de habitantes – se articula de forma conjunta. O Consórcio Intermunicipal, que reúne as administrações das sete cidades, discute um plano estratégico para os próximos dez anos.

No final de novembro, a Prefeitura de São Bernardo também apresentou propostas para discutir a cidade até 2021. No mesmo período, foi lançado o Fórum Mauá 2025. A cidade é a 11ª do estado em número de habitantes e a 10ª mais pobre. Em 1954, ano da emancipação, tinha 10 mil habitantes. Hoje, 400 mil. “Faltou planejamento, e isso faz diferença. Planejar significa que a população entenda essa realidade para buscar soluções”, diz o prefeito de Mauá, Oswaldo Dias


Ciente das dificuldades, Dias vê um amadurecimento do ABC, com a consolidação da visão regional, além de avanços políticos e econômicos. “Em 1980, vivíamos ainda sob uma ditadura. Trinta anos depois, vivemos em plena democracia. Do ponto de vista da economia, na década de 1990 se falava muito do Custo Brasil e do Custo ABC. Mas o ABC resistiu. São mudanças sedimentadas.”

Da fábrica ao gabinete

Muitos líderes políticos no ABC surgiram do movimento sindical. O PT elegeu em Diadema o seu primeiro prefeito, o ferramenteiro Gilson Menezes, em 1982. “Nós não tínhamos nenhuma pretensão política”, lembra o atual vice-prefeito, hoje no PSC. “Com os movimentos, o surgimento do PT, tivemos de assumir o compromisso de sair candidatos para iniciar a vida política do partido. Gilson liderou a greve considerada marco das transformações do sindicalismo, em maio de 1978, na Scania. “Já fui perseguido em fábrica, comi feijão azedo, marmita fria... Disputar a prefeitura seria mais um enfrentamento. Valeu a pena, porque não tinha a cultura de as pessoas se entregarem a um processo mais articulado. O povo queria participar tanto que me dava dedo em riste.”

Hoje, ele vê a região mais estruturada e com mais recursos, principalmente após a reforma tributária ocorrida com a Constituição de 1988. “As condições dos municípios melhoraram. Em 1983, nosso orçamento era de US$ 30 milhões. Com a reforma, a receita foi para US$ 75 milhões. Hoje, o orçamento anual é de pelo menos U$ 300 milhões. O governo Lula foi muito municipalista”, diz.


Mesmo sendo berço do PT e de Lula, o ABC está longe de ser unanimidade em relação a seu político mais conhecido. No segundo turno das eleições, Dilma Rousseff ganhou em Diadema, São Bernardo, Mauá e Rio Grande da Serra e perdeu em Santo André, São Caetano e Ribeirão Pires. O reduto operário concentra também uma classe média emergente e de perfil mais conservador. Na soma dos municípios, Dilma recebeu 769 mil votos (53,2%) e Serra, 678 mil (46,8%). Uma diferença de seis pontos percentuais, metade da nacional.

A nova classe média concentra quase 80% das famílias e a região é o terceiro maior polo consumidor do Brasil. O presidente da associação local de construtores, Milton Bigucci, diz que o ABC trocou as casas pelos apartamentos em condomínios fechados. “Não se constrói mais casa térrea ou sobrado. Busca-se a segurança total”, afirma. Além da questão da segurança, a falta de espaço leva à verticalização, como em São Paulo. O poder aquisitivo também aumentou. “O apartamento mais vendido é o de três dormitórios”, conta Bigucci. Segundo ele, o custo por metro quadrado está, em média, 10% menor que na capital, diferença que já foi superior a 30%.

Recuperação

A indústria automobilística instalada ali a partir dos anos 1950 explica em parte a força econômica da região, que concentrava mais de 180 mil metalúrgicos no início dos anos 1980. A base do principal sindicato da categoria, que reúne hoje quatro dos sete municípios do ABC, entrou em 1990 com mais de 120 mil trabalhadores e saiu com 80 mil. Após uma trajetória de recuperação iniciada em 2004, chega-se agora ao maior número (103,5 mil) desde 1995.

A crise, iniciada ainda nos anos 1980 e tornada mais aguda na década seguinte, acendeu o sinal de alerta e levou à formação do Consórcio Intermunicipal Grande ABC. “Quando o Celso Daniel criou o consórcio, passávamos pelo nosso pior momento econômico”, afirma Clóvis Volpi, atual presidente e prefeito de Ribeirão Pires, referindo-se ao ex-prefeito de Santo André, morto em 2002. “Chegávamos a quase 20% de desemprego, havia desestabilização da indústria, o PIB embicou para baixo. Ali começaram as grandes discussões.”

Hoje, a região vive situação privilegiada, segundo Volpi. Pelos dados do IBGE divulgados em dezembro, cinco municípios do ABC (pela ordem, São Bernardo, Santo André, São Caetano, Diadema e Mauá) estavam, em 2008, entre as 100 cidades brasileiras com maior participação no PIB nacional. Em agosto, Volpi e Mário Reali, vice-presidente do consórcio e prefeito de Diadema, abriram o processo de elaboração do Planejamento Regional Estratégico (PRE) para os próximos dez anos. “É o nosso plano de governo”, define Volpi, que cita como prioridades o combate às enchentes e a integração do transporte público.

Para o atual presidente, ainda é preciso amadurecer um “pensamento regional” entre os prefeitos, abrir mão de diferenças políticas. “O prefeito deve ter a sensibilidade de pensar regionalmente. Temos formação política heterogênea”, observa. O PT está à frente de três administrações (Diadema, Mauá e São Bernardo), o PTB de duas (Santo André e São Caetano), o PV, de uma (Ribeirão Pires) e o PSDB, de outra (Rio Grande da Serra). O próximo presidente do consórcio deve ser Reali, a partir deste mês.

Cinturão

“O ABC era um distrito, transformou-se em um único município, assistiu a vários movimentos de antecipação para chegar às sete cidades e descobrir que é um ser só”, diz o jornalista e historiador Ademir Médici, com seus 60 anos vividos na região. Ele identifica no início dos anos 1980 uma transformação de princípios e de mentalidade, com os vários movimentos sociais se organizando, inclusive no empresariado.

Do ponto de vista econômico, Ademir lembra que até nos anos 1970 o ABC possuía um “cinturão verde”, fornecedor de frutas, verduras e ovos para São Paulo e Santos. “Esse cinturão não existe mais, abriu espaço para novos bairros de uma população que foi migrante, primeiro do interior de São Paulo e posteriormente do Nordeste.”

O professor Luiz Roberto Alves, diretor da cátedra de Gestão de Cidades na Universidade Metodista, em São Bernardo, considera a cultura do trabalho um ícone do ABC, na passagem, usando termo do educador Paulo Freire, do imigrante “ingênuo” para a formação de uma consciência crítica, a partir dos anos 1950. Assim, seria “o lugar onde o trabalhador se encontrou mais cedo com o mundo”, devido à grande presença de multinacionais. “Uma moderníssima cultura do trabalho sedimentou as conquistas, por meio de fóruns, conselhos, consórcios, com novos atores nessa relação tripartite de governança”, afirma.

“As culturas do trabalho foram a ponta de lança do desenvolvimento. A região deve muito a elas”, diz Luiz Roberto, compreendendo como tais culturas não só o chamado chão de fábrica, mas as ruas, os movimentos reivindicatórios e as manifestações de solidariedade. As greves do final dos anos 1970 e início dos 1980 seriam o “parto da democratização” – mas o traço inconformista da região antecede essa época. “Estou aqui desde 1967, e esses lugares chamados de exclusão já não eram silenciosos. Se o enfrentamento (dos anos 70-80) não ocorresse, estaríamos despreparados em 1990”, avalia. Ele vê os grupos A e B diminuindo na universidade e os grupos C e D crescendo. “Eles (trabalhadores) formaram seus filhos. Agora, é o momento de gestão do bem comum.”

Amigos e militantes prepararam uma recepção para a “volta” de Lula ao ABC. Com tempo livre e fã de futebol, ele poderá assistir a um campeonato paulista que pela primeira vez reunirá na elite os “grandes” da região: São Bernardo, São Caetano e Santo André. Ainda em janeiro, o São Bernardo receberá o Corinthians. Lula poderá ver o seu time de coração e matar a saudade do cenário que o projetou para o mundo, o estádio de Vila Euclides, hoje denominado 1º de Maio. Ele já avisou a pessoas próximas que quer assistir ao jogo da arquibancada.

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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Helder Molina faz visita a Olhos D'água

No dia 05 de fevereiro, na parte da tarde, os companheiros da Tribo Uberlândia, Victor, Wesley e "Baiano", levaram o Prof. Helder Molina para conhecer Engenho e fabriqueta de rapaduras em sítio na região de Olhos D'água, próximo a Uberlândia, onde foram recebidos pelo "Sr. Tito".

Abaixo fotos desse prazeiroso passeio.

































sábado, 5 de fevereiro de 2011

CURSO DE FORMAÇÃO SINDICAL

Prof. Helder Molina

Curso ministrado dias 04 e 05 de fevereiro de 2011.

ANÁLISE DE CONJUNTURA - METODOLOGIA

:: A CONJUNTURA BRASILEIRA
:: OS PROVÁVEIS CENÁRIOS FUTUROS
:: EXERCÍCIOS DE ANÁLISE DE CONJUNTURA

Como se faz Análise de Conjuntura
Tem Método?
Porque?
Prá que um “Método”

O que é conjuntura:
Os aspectos econômicos, políticos e sociais. 
Estes envolvem o contexto do tempo presente, em que estamos analisando.

Um Cabo de Guerra
a) - As classes sociais em disputa, seus diferentes interesses estão em jogo, a luta de classes;
b) - Na conjuntura há uma relação de forças;
c) - Quem são os aliados? Os parceiros ?  E os adversários?
d) - Os diferentes movimentos, das diferentes classes e grupos sociais,  e projetos políticos diferenciados, e conflituosos,em disputa na sociedade.

Conjuntura é a superfície
Contexto, situação atual, momento.

Estrutura é o profundo
História, raízes, origens, economia, sociedade, cultura.

Analisar a conjuntura não é dar informes gerais, nem agenda de atividades, planos de lutas, relato das negociações, ou dados aleatórios...

:: Movimento sindical é cheio de “especialistas” que fazem “análise de conjuntura;
:: “Eu acho...”, “eu escutei...”, “ouvi dizer...”, “alguém me contou...”, “lí não sei onde...”

Um conjunto de dados estatísticos não é a conjuntura
É preciso:
-  Apresentar o dados:
Confrontá-los (cenários anteriores x atuais x futuros);
- Criticá-los (discutir as fontes, verificar veracidade, ver as entrelinhas:
Analisá-los (à luz da realidade, da relação de forças, da disputa na sociedade).

Conjuntura
Olhar o todo
:: Nacional e Internacional;
:: Entender o Brasil como parte do Contexto econômico e político atual na,  América Latina e mundo;
:: Diferença entre Estado x Governo x Poder x Hegemonia.

Governo em Disputa
Cabo de Guerra
Avanços:
:: Forças políticas vinculadas aos movimentos sociais e à esquerda democrática e socialista.
:: Política sociais, distribuição de rendas, relação com a sociedade civil e os movimentos organizados, reorganização do papel do Estado.

Projeto político em disputa
Contradições:
:: Nem a esquerda, nem a direita conseguem governar sozinho no Brasil;
:: Composição política heterogênea, Projeto de desenvolvimento capitalista com distribuição de renda;
:: Governabilidade, correlação de forças no congresso, política econômica monetarista.

Estado capitalista
Infraestrutura e Superestrutura
Meios de Produção?
Forças Produtivas?
Terras?
Bancos?
Mídia monopolista?

Modos de Dominação
Consenso e Coerção (Força):
Convencimento (aparelhos ideológicos) ou cassetete

Luta pela Hegemonia Política e Social
:: Aqui é decisivo o papel dos movimentos sociais;
:: Da sociedade civil organizada;
:: Dos sindicatos;
:: Dos intelectuais de esquerda;
:: Organização / Autonomia / Independência / Mobilização / Formação / Comunicação.
O que era o Brasil e o mundo:

Década Neoliberal - 1990 – 2002
A Crise econômica do capitalismo na década de 1970-1980 foi profunda:
:: A Globalização e a mundialização do capital: Vingança contra os trabalhadores;
:: A Abertura econômica causou destruição da indústria nacional, com desemprego em massa;
:: O Estado foi desmontado, reduzido ao seu tamanho mínimo;
:: Cresceu e se consolidou a Ideologia do mercado máximo: O mercado pode tudo, regula tudo, não existe vida fora do mercado.

Década neoliberal
Vingança do capital contra o trabalho...
:: Esvaziamento do Estado, das políticas sociais; 
:: Uma política agressiva de privatizações das estatais e do patrimônio público;
:: Tecnologia e máquinas substituindo o trabalhador: Crescimento sem emprego;
:: Desemprego, precarizações, terceirizações;
:: Ideologia do “consumo, logo existo!
:: A “boa nova” do  capital é “produtividade, competitividade, lucratividade”.

Neoliberalismo: Uma ideologia e um projeto para retomar a hegemonia do capital
:: Privatizações dos direitos básicos. Só é cidadão quem é consumidor;
:: Ataque aos sindicatos e flexibilizações dos direitos dos trabalhadores;
:: Fim das “ideologias” e o capitalismo como “destino da humanidade”;
:: Fragmentação, individualismo, religião do dinheiro e fetiche da mercadoria.

NEOLIBERALISMO
CONTRASTES:
EXCLUSÃO :::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::ESPECULAÇÃO 



ERA DOS EXTREMOS
Barbárie x Riqueza Concentrada
Fome <<<<<<<<<>>>>>>>>>>Acumulação



Isto é o “néo”LIBERALISMO
“LIVRE COMPETIÇÃO, LIVRE CONCORRÊNCIA,
“O homem é o lobo do próprio lobo”...”guerra de todos contra todos”, “ a desigualdade é natural...” – (Adam Smith e John Locke – pais do liberalismo)



“néo” LIBERALISMO: “ é natural a desigualdade.  A  riqueza das nações  produto da competição, da disputa da vitória dos fracos sobre os fortes, da seleção natural das espécies. 
(Roberto Campos, um dos pais do neoliberalismo no Brasil)


“Edificaram a fortuna...
sob o suor de quem trabalha” (Manifesto comunista – Marx/Engels)





 Capitalismo financeiro 
Garante maior taxa de lucro (mais-valia) que o capitalismo industrial...



Resgate do papel do Estado e reconstrução das políticas públicas
Nas políticas sociais públicas
:: ABERTURA DE:
- NOVOS CURSOS SUPERIORES,
- NOVOS CAMPUS UNIVERSITÁRIOS (56)
- NOVAS UNIVERSIDADES (08)
- NOVAS ESCOLAS TÉCNICAS FEDERAIS.

:: CONCURSOS PÚBLICOS (80 MIL NO GERAL):
- 16 MIL CONCURSADOS PARA AS UNIVERSIDADES.

:: REPOSIÇÕES SALARIAS (A PARTIR DE GREVES, NEGOCIAÇÕES COM O GOVERNO FEDERAL:
- PERSPECTIVAS DE PLANOS DE CARREIRAS, MESA DE NEGOCIAÇÂO (GERAL E SETORIAIS). A LUTA PELA DATA BASE

Na luta, conquistamos direitos, cidadania e
- PISO NACIONAL DE SALÁRIOS PARA EDUCAÇÃO BÁSICA
- TODOS NA ESCOLA SÃO PROFISSIONAIS DE EDUCAÇÃO
- DO FUNDEF PARA O FUNDEB

Integração da América Latina. Quintal dos EUA ?! Nunca mais
- Integração e apoio aos governos populares ou nacionais-populares em toda América Latina
- (bolívia, venezuela, uruguai, equador, el salvador, cuba, argentina – veja o caso recente das malvinas..)
- Criação da UNASUL – União das Nações do Sul, e da Comunidade de Estados da América Latina (fevereiro 2010, no méxico).
- Ruptura com a ALCA e reconstrução do MERCOSUL.
- Não ingerência dos EUA nos assuntos da América Latina.

Inserção internacional, com soberania e protagonismo (influência...)
- Paises emergentes se organizam, na disputa comercial, na resposta para a crise de 2009;
- G7 x G 20.
B.R.I.C.A.S – Brasil, Russia, Índia, China, África Do Sul.
China: NOVA POTÊNCIA – Nova Geopolítica mundial.
2009....Brasil 7ª economia do mundial
2020....Brasil 5ª economia do mundo

Crise de 2009 e nova geo-política e economia mundial
- Redução da importância geo polítca dos EUA
- BRASIL: lider da América Latina
- Nova geo-política dos estados soberanos
- Crise do neoliberalismo: veja situação atual dos bancos, empresas e seguradoras americanas.
- NEOLIBERAIS “ressuscitam papel do estado”...para salvar o capitalismo.

Grandes dificuldades
Cenários econômicos e sociais para  2011
- Crise internacional continua > Exportações/Importações > Cambio/Moeda > Disputa comercial > China > Protecionismo
- Ajuste fiscal para remédio para a crisem (Europa, EUA)
- Crescimento da direita na Europa e nos EUA)
- Restrição ao crédito
- Baixo PIB e baixo crescimento das economias centrais
- Aumento do desemprego, exigências de direitos, e de liberdades democrática (Caso atual do Oriente e Norte da África)

No Brasil
Cenários econômicos e sociais para 2011
- Novo governo: o Fator PMDB e a governabilidade.
- Pressão monetarista e fiscal por ajustes e cortes em políticas sociais e contra expansão do Estado: Neoliberalismo ainda vive, e forte.
Contradição:
Exigência de aumentar recursos para políticas de inclusão e distribuição de renda X Agenda mundial de contenção e redução do Estado.

Cenários econômicos, políticos e sociais para 2011
- Congresso Nacional com hegemonia anti sindical, anti popular e anti social.
- Supremo Tribunal Federal como poder moderador.
- Questão do salário mínimo, reajuste dos servidores, concursos públicos, ampliação dos recursos para políticas sociais...
- Tramitação e aprovação da Lei de Redução da Jornada de Trabalho, sem redução dos salários, em negociação no Congresso Nacional, isso possibilita criar 12 milhões de novos emprego.
- Aprovação das convenções 151 e 158 – Depende de pressão do movimento sindical.
- Aprovação da convenção 87 – Tem divergência no movimento sindical (Autonomia e liberdade X unicidade e corporativismo).

Cenários econômicos para 2011
- Regulamento do trabalho precário, combate à informalidade,  escravidão moderna, terceirizações (atuação da Justiça do Trabalho – MPT, e da Polícia Federal e do Ministério do Trabalho – (Carteira e direitos trabalhistas para cerca de 2 milhões de trabalhadores).
- Criação de 08 milhões de empregos formais (apesar da crise).
- Políticas de incentivo ao consumo popular, para fortalecer a economia interna.

Principais temas da PAUTA SINDICAL para 2010...
- Redução da Jornada de Trabalho;
- Lei do salário mínimo, permanente;
- Serviço Público : Concursos públicos, reconstrução do Estado, valorização dos trabalhadores e mesa de negociação permanente e com capacidade de decisão;
- Fim do fator previdenciário e ampliação do reajuste dos aposentados, como política permanente;
- Convenções 87, 151, 158 da OIT;
- Pré-Sal (defesa da soberania nacional);
- Construção de uma Plataforma da classe trabalhadora para eleições de 2010.

Muita coisa ainda anda devagar... Limites, contradições e ausências
- Avançar na Reforma Agrária (um dos pontos negativos do atual governo) e no financiamento da agricultura familiar (PRONAF). Latifúndio, agronegócio, madeireiros, são entraves para o desenvolvimento sustentável, agricultura para consumo popular, e reforma agrária;
- Reforma Urbana, saneamento e moradia (Minha Casa e Minha Vida e PAC ainda precisa aprofundar políticas estruturantes;
- PAC – Muito lento, dificuldades burocráticas e legais, gestão partilhada entre a União-Estados-Municípios muito lenta (projetos, licitação e execução);
- Reforçar alianças com os movimentos sociais rurais e urbanos (Só conquistaremos nossos direitos se os movimentos sociais estiverem nas ruas.

Avançar nas conquistas, consolidar as políticas sociais, não retroceder:
- Aprofundar as políticas sociais de distribuição de renda e garantias de direitos;
- Não basta só as bolsas, é necessário políticas permanentes de distribuição de renda e justiça social;
- Disputar hegemonia na sociedade, nos meios de comunicação, no mundo sindical;
- A maioria da população se informa pela TV, rádios e jornais, principalmente os de baixo conteúdo).

Muito ainda por fazer...
- Aumentar a produção e o consumo das famílias;
- Aprofundar a formação sindical, principalmente sobre a concepção e o projeto sindical combativo.

Na grande disputa, não há espaço para experimentações. Na luta de classes, há caminhos. Qual o seu?
- Consolidar o projeto de desenvolvimento social, com justiça social,e inserção do Brasil na economia mundial de forma soberana, e em defesa dos interesses dos trabalhadores;
- Derrotar a candidatura do aliança neoliberal, que conta com total apoio da Mídia, do dos setores conservadores e seus partidos, da classe média preconceituosa e sua vontade de ser dominante,  setores da direita e seus partidos.

Avançar para além do capitalismo...
- Recursos públicos para investimentos públicos;
- Reforma agrária e economia solidária e desenvolvimento sustentável;
- Apoio com mais investimento na Agricultura Familiar;
- Expansão do ensino público em todos os níveis.

Avançar... para além das políticas compensatórias
- Programas de moradia popular com financiamento à população de baixa renda.
- Expansão da rede de saúde pública à populações das periferias das grandes cidades e do meio rural.
- Participação popular na definição dos orçamentos.
- Fim do superávit primário e redução dos juros e aumento de crédito para trabalhadores de baixa renda.

Estado forte é Estado para a maioria
- Estatização do sistema financeiro, recursos públicos só para bancos públicos, crédito popular (Veja o papel do Banco do Brasil e CEF, na crise:Crédito para a produção, financiamento popular...);
- Reestatização de áreas estratégicas para o estado brasileiro (veja o caso das telecomunicações, Internet de banda larga, Telebras...);
- Redução da jornada de trabalho – sem redução de salários e aprovação das convenções da OIT.

Para além dos limites do capitalismo, um outro mundo é possível?   É?
- Reforma tributária com taxação das grandes fortunas e heranças.
- Redução de Impostos para as classes populares, pequenos e médio empresários.
- Maior taxação das grandes empresas, maior fiscalização tributária contra os sonegadores).
- Reforma política, controle externo popular sobre o parlamento.
- Liberdade e autonomia de organização sindical, fim do imposto sindical.

Um governo popular deve ter compromissos com ampliação dos direitos....
- Reforma do Estado, com concursos público, fim das terceirizações, da precarização do trabalho e dos direitos;
- Definição de Data-base para os trabalhadores do serviço público;
- Mesa nacional e setoriais de negociação;
- Reconhecimento pleno e irrestrito do direito de greve.

Compromissos de um projeto popular de sociedade e de Estado
- Garantia da estabilidade de emprego para os trabalhadores(as), principalmente daquelas que receberam apoio do governo, e recursos públicos;
- Aumentar os investimentos públicos (gerador de renda e emprego);
- Contrapartidas sociais: o governo deve exigir das empresas que tem recebido apoio do estado, a manutenção do emprego (sob pena de punição).

Compromissos de um projeto popular de sociedade e de Estado
- Quebra dos monopólios privados de mídia;
- Fortalecimento dos meios de comunicação comunitários, sindicais e públicos;
- Radical democratização do acesso à Internet, com acesso público e gratuito, nas escolas, praças, comunidades,  associações de moradores.


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Helder Molina
Professor da Faculdade de Educação da UERJ,
assessor de formação da CUTRJ
heldermolina@ig.com.br – 21 9769 4933 – professorheldermolina@gmail.com